O Que é a Dieta GAPS?

Por Alyssa Pike, RD

Noções básicas da dieta GAPS

A dieta GAPS é uma dieta de eliminação que envolve cortar grãos, laticínios pasteurizados, vegetais ricos em amido e carboidratos refinados. A teoria da dieta GAPS argumenta que a exclusão de certos alimentos melhorará a saúde intestinal, o que pode, em última instância, melhorar algumas condições do cérebro, incluindo autismo, transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e dislexia.

GAPS (na sigla em inglês Gut and Psychology Syndrome) significa Síndrome do Intestino e da Psicologia. De acordo com a teoria GAPS, um intestino permeável – um termo usado para descrever um aumento na permeabilidade da parede intestinal – permite que produtos químicos e bactérias entrem em sua corrente sanguínea, causando uma série de consequências para a saúde que variam de “névoa cerebral” (brain fog) ao autismo. É importante enfatizar que atualmente há poucas evidências que sugerem que essas condições sejam causadas por um intestino permeável.

Diretrizes para a dieta GAPS

Seguir a dieta GAPS pode ser um processo muito demorado. Existem três fases:

1. Fase de introdução: A dieta GAPS
Esta é a parte mais restritiva da dieta. É chamada de “fase de cura do intestino” e pode durar de três semanas a um ano, dependendo dos sintomas da pessoa. Nessa fase, grãos, laticínios pasteurizados, vegetais ricos em amido e carboidratos refinados são eliminados, e caldos, ensopados e alimentos probióticos constituem grande parte dos padrões alimentares de uma pessoa. A dieta GAPS recomenda que você passe de uma fase para a próxima assim que puder tolerar os alimentos que introduziu. Considera-se que você tolera um alimento quando tem um movimento intestinal normal.

2. Fase de manutenção: A dieta GAPS completa

A dieta GAPS completa pode durar de 1,5 a 2 anos. Durante esta parte da dieta, as pessoas são aconselhadas a basear a maioria de seus padrões alimentares nos seguintes alimentos:

• Carne fresca, de preferência sem hormônio e de animais alimentados com capim
• Gorduras animais, como banha, sebo, gordura de cordeiro, gordura de pato, manteiga crua e ghee
• Peixes
• Marisco
• Ovos orgânicos
• Alimentos fermentados, como kefir, iogurte caseiro e chucrute
• Legumes e hortaliças
• Quantidades moderadas de nozes
• Produtos assados com receitas GAPS feitos com farinha de nozes

Recomendações adicionais ao seguir a dieta GAPS incluem:

• Não coma carne e fruta juntos.
• Use alimentos orgânicos sempre que possível.
• Coma gorduras animais, óleo de coco ou azeite de oliva prensado a frio em todas as refeições.
• Consuma caldo de osso em todas as refeições.
• Consuma grandes quantidades de alimentos fermentados, se puder tolerá-los.
• Evite alimentos embalados e enlatados.

3. Fase de reintrodução: a transição para sair da GAPS

A dieta GAPS sugere que a fase de reintrodução pode começar depois de você ter experimentado uma digestão e movimentos intestinais normais por pelo menos seis meses. No entanto, essa fase de reintrodução pode levar muito tempo, pois envolve a reintrodução lenta dos alimentos em sua dieta.

A dieta não detalha a ordem de reintrodução ou os alimentos exatos que você deve reintroduzir. No entanto, afirma que você deve começar com batatas e grãos fermentados e sem glúten.

Mesmo depois de sair da dieta, você é aconselhado a continuar evitando todos os alimentos altamente processados e refinados com alto teor de açúcar.

A dieta GAPS e sua saúde

Até o momento, não há pesquisas que comprovem que a dieta GAPS pode ajudar a tratar as doenças que afirma tratar. A dieta não foi testada cientificamente, e as únicas alegações em apoio a essa dieta são anedóticas. Além disso, as fases de introdução e manutenção são tão restritivas que os adeptos à dieta GAPS podem correr sério risco de desnutrição.

É verdade que estão surgindo evidências que mostram que a saúde intestinal e o cérebro estão conectados. No entanto, essas pesquisas têm se concentrado, principalmente, em condições como ansiedade e depressão. As pesquisas sobre microbioma intestinal ainda estão em sua infância, mas as evidências sugerem que certos alimentos (pense em frutas e hortaliças, e em probióticos e prebióticos) podem impactar positivamente em nosso microbioma intestinal.

Conclusão

É importante reconhecer como as necessidades alimentares podem se tornar desafiadoras quando você ou alguém próximo a você é diagnosticado com um problema de saúde. No entanto, a dieta GAPS é muito restritiva e carece de evidências científicas para justificar sua implementação. As pesquisas que examinam a conexão intestino-cérebro estão em constante evolução. Se você tiver dúvidas sobre sua saúde ou dieta, recomendamos consultar seu médico e/ou um nutricionista.

Este artigo contém contribuições de Kris Sollid, RD.

Fonte:Alyssa Pike, RD

Food Insight

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